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Saiba mais sobre o lixo eletrônico

O descarte desses é diferente de outros materiais recicláveis.

 

Por Ana Luíza Alves e Kécia Pereira, com colaboração de Fabiana Carvalho

Quando se fala em coleta seletiva, o mais comum é ouvir a respeito da separação de papel, vidro, metal e plástico. O mesmo não acontece com a coleta dos eletrônicos, que é pouca difundida, o que faz o consumidor jogá-lo em local indevido. Lixo eletrônico é todo material produzido pelo descarte de equipamentos eletrônicos, como impressoras, gabinetes, telefones celulares, pilhas, entre outros.

Em 2012, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou o estudo Logística Reversa de Equipamentos Eletroeletrônicos. O trabalho demonstrou, que ao fim da vida útil, esses produtos passam a ser considerados resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE). Eles só chegam a esse ponto uma vez esgotadas todas as possibilidades de reparo, atualização ou reuso.

Por falta de informação e local adequado para o descarte, algumas organizações e órgãos públicos promovem ações voltadas para o descarte adequado de eletrônicos. A Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda de Alagoas (SAMF-AL) faz a doação de computadores e impressoras para instituições da capital que realizam o conserto e reutilizam os equipamentos.

A ouvidora da SAMF-AL, Fabiana Carvalho, explica que o órgão não tem uma coleta específica de eletrônicos, mas encontrou uma forma de ajudar no recolhimento do lixo eletrônico. “Este ano, fizemos a aquisição de um coletor de pilhas e baterias que foi estrategicamente colocado na recepção principal do prédio para estimular não apenas servidores e terceirizados, como também visitantes a depositarem em local adequado esse tipo de material tão tóxico ao meio ambiente”, disse.

Já o servidor do Serpro Cláudio Queiroz usa peças de eletrônicos para fazer arte. Antes era só um passatempo, mas a produção cresceu tanto que ele chegou a fazer exposição. A criatividade das peças varia, tem de cadeira a aquário, todo feito com material reciclado de eletrônico. “O mundo já está saturado desse tipo de lixo, material plástico, material corrosivo. Eu acho que é uma pequena contribuição que eu posso dar e que eu gostaria que muita gente, muitas pessoas também se inspirassem nisso para ajudar o planeta”, afirmou.

 

Organizações recolhem lixo eletrônico

 

Criada em 2008 com o intuito de promover ações destinadas à reciclagem do lixo eletrônico, a ONG E-lixo atua na coleta, separação e reaproveitamento de materiais como computadores, aparelhos de televisão e telefones celulares na cidade de Londrina, Paraná, e em outros 40 municípios.

Segundo Alex Gonçalves, diretor do E-lixo, a coleta do material é feita a partir de campanhas realizadas em parceria com outras organizações e por meio de doações da população em geral. Mensalmente, a ONG recolhe cerca de 60 toneladas de lixo eletrônico, que após passar por uma análise, é doado para escolas e entidades necessitadas ou são comercializados para o sustento financeiro da instituição. Quando não pode ser reaproveitado, o material é encaminhado para a indústria, que o utiliza como matéria prima.

Outra organização que também recolhe lixo eletrônico é a Recicladora Urbana, localizada no estado de São Paulo. Criada em 2010, o responsável pela organização, Ronaldo Stabile, esclarece o procedimento de pós-arrecadamento dos materiais. “Todo material que recebemos é separado por lote, inventariado, feito a limpeza de dados e propriedade para que todas as informações sejam irrecuperáveis, seguindo para o processo de manufatura reversa, ou seja, desmontagem e encaminhamento das peças e componentes para empresas certificadas para processar cada um deles”.

De acordo com informações fornecidas por Stabile, o país gera cerca de 500 mil toneladas de lixo eletrônico por ano e recicla menos de 2% desse volume, dados de 2011.